PODEMOS ? NÃO, NÃO PODEMOS
(por M. FÁTIMA BONIFÁCIO)
CONSIDERAMOS ESTE TEXTO DE M. FÁTIMA BONIFÁCIO DA MAIOR IMPORTÂNCIA E QUE DEVE SER LIDO POR TODOS.
MAIS, É NOSSA OPINIÃO QUE O MESMO DEVE SER PARTILHADO O MÁXIMO POSSÍVEL.
FIAT LUX
OPINIÃO
Podemos? Não, não podemos
As quotas para negros e ciganos não
passam de uma farsa multicultural igualitarista. Não, não podemos integrar por
decreto.
Segundo o PÚBLICO de 29 de Junho, o
“PS quer discriminação positiva para as minorias étnico-raciais”. Em causa estão sobretudo africanos e ciganos, independentemente de terem
nascido em Portugal ou não. Estas minorias excluídas da Cidade, a sua suposta
ou real marginalização, constitui a prova de que Portugal “continua a ter um
problema de racismo e xenofobia”, independentemente do efeito – que de resto
não sofremos – do drama dos refugiados, com o seu pico mais trágico em 2015.
O entrevistado pelo PÚBLICO, Rui Pena Pires, sociólogo e secretário
nacional do Partido Socialista, lamenta “a falta de diversidade no espaço
público”, que continua atulhado de homens brancos e mulheres brancas. E, em
conformidade com a ideia, grata à esquerda, de que a sociedade e respectiva
mentalidade podem ser mudadas por decreto, Pena Pires saúda a possibilidade de
que o problema da exclusão de negros e ciganos do espaço público se resolva, ou
comece a resolver, estabelecendo quotas para deputados coloridos, de forma a
conferir à futura Assembleia da República uma dimensão representativa mais
conforme com a composição étnico-racial da sociedade portuguesa. Se as quotas
tinham impulsionado a emancipação e igualização de direitos das mulheres, se
lhes haviam aberto o espaço público, porque não aplicar a mesma receita às
minorias étnicas?
A comparação com a igualdade ou paridade de género é inteiramente
falaciosa. As mulheres, que sem dúvida têm nos últimos anos adquirido uma
visibilidade sem paralelo com o passado, partilham, de um modo geral, as mesmas
crenças religiosas e os mesmos valores morais: fazem parte de uma entidade
civilizacional e cultural milenária que dá pelo nome de Cristandade. Ora isto
não se aplica a africanos nem a ciganos. Nem uns nem outros descendem dos
Direitos Universais do Homem decretados pela Grande Revolução Francesa de 1789.
Uns e outros possuem os seus códigos de honra, as suas crenças, cultos e
liturgias próprios.
Os ciganos, sobretudo, são inassimiláveis: organizados em famílias, clãs e
tribos, conservam os mesmos hábitos de vida e os mesmos valores de quando eram
nómadas. E mais: eles mesmos recusam terminantemente a integração. É só ver a
quantidade de meninas ciganas que são forçadas pelos pais a abandonar a escola
a partir do momento em que atingem a puberdade; é só ver a quantidade de
meninas e meninos ciganos que abandonam os estudos, apesar dos subsídios
estatais de que os pais continuam a gozar para financiar (ou premiar!) a ida
dos filhos às aulas; é só ver o modo disfuncional como se comportam nos
supermercados; é só ver como desrespeitam as mais elementares regras de civismo
que presidem à habitação nos bairros sociais e no espaço público em geral. Os
ciganos não praticam a bárbara excisão genital das mulheres. Mas, em vez desta
brutal mutilação, vulgar e imperativa nas tribos muçulmanas, aos casamentos
entre ciganos segue-se, no dia seguinte, obrigatoriamente, a humilhante
demonstração da virgindade da noiva, cujo sangue de desfloramento, estampado
nos lençóis, é orgulhosamente exibido perante a comunidade. O que temos nós a
ver com este mundo? Nada. O que tem o deles a ver com o nosso? Nada.
Africanos e afro-descendentes também se auto-excluem, possivelmente de modo
menos agressivo, da comunidade nacional. Odeiam ciganos. Constituem etnias
irreconciliáveis, e desta mútua aversão já nasceram, em bairros periféricos e
em guetos que metem medo, batalhas campais só refreadas pela intervenção
policial. Os africanos são abertamente racistas: detestam os brancos sem
rodeios; e detestam-se uns aos outros quando são oriundos de tribos ou
“nacionalidades” rivais. Há pouco tempo, uma empregada negra do meu prédio
indignou-se: “Senhora, eu não sou preta, sou atlântica, cabo-verdiana.”
Passou-se comigo. A cabo-verdiana desprezava as angolanas porque eram
africanas, não atlânticas, e muito mais pretas...
Os partidos, nomeadamente o PS, confessam que, para o fim inconfesso de
conquistar mais alguns votos, se vêem hoje obrigados a “assegurar a
representatividade das diferentes origens étnico-raciais”. Não por acaso, na
entrevista com Pena Pires, a visibilidade dessas diferentes origens aparece
imediatamente relacionada com a facilitação do acesso ao ensino superior, que
deveria abrir-se a todos os alunos, “independentemente da sua nota final” no
12.º ano. “Se fizermos uma política de alargamento de acesso ao ensino
superior, já resolvemos parte do problema. Não faz sentido ter um ensino virado
para os melhores alunos, mas sim para todos os que têm as condições mínimas
para entrar.” Pena Pires não explica que condições são essas. Possivelmente, o
simples facto de existirem jovens que, apesar de incapazes e preguiçosos,
aspiram a um diploma universitário! Pelos vistos, o facilitismo que já reina
hoje em dia nas universidades ainda não chega: para resolver “os problemas de
racismo e xenofobia” que afligem a esquerda bem-pensante da nossa democracia,
teremos de criar um passe de livre-trânsito entre o secundário e a
universidade. Quando esta política for oficialmente consagrada e der os seus
resultados, teremos um Parlamento ainda mais ignorante e incompetente do que já
temos – sem que o País deixe de “ter um problema de xenofobia e racismo”.
A título de complemento do acesso irrestrito ao ensino superior, Pena Pires
recomenda também a criação de “um observatório do racismo e da discriminação
junto a uma universidade”. Mas como é que se observa o racismo e a discriminação a partir dos gabinetes almofadados onde
se sentariam os observadores? A única maneira de observar uma matéria tão
fugidia e evanescente é frequentar feiras e supermercados baratos, é entrar nos
bairros em que nem a polícia se atreve a pôr os pés. Mas isto é tremendamente
maçador e, sobretudo, exige muita coragem física. O observatório não observaria
nada e seria perfeitamente inútil, a não ser – isso sim – para criar mais
alguns jobs for
the boys.
Bem-vindos os analfabetos – lusitanos, africanos ou ciganos – à
“visibilidade” no espaço público. De facto, só por uma cabeça de esquerda
passaria a ideia peregrina de um acesso irrestrito e incondicional à
universidade. E, quanto à melhoria da representatividade parlamentar, o
recrutamento de meia dúzia de indivíduos africanos ou ciganos em nada, mas
nada, promoveria a integração destas comunidades “invisíveis”, pelo singelo
motivo de que a sua “inclusão” não passaria de uma farsa multicultural
igualitarista. Por um lado, os eleitos não tardariam a ser vistos pelos seus
como desertores, e por outro seriam olhados pelos seus colegas de bancada como
forasteiros coloridos. Acontece que a xenofobia e o racismo são um fenómeno
universal, e não um problema especificamente português. Por mais que se
escancarem as portas da universidade, por mais que se criem srs. doutores de aviário,
nunca se dissolverão na comunidade autóctone as minorias exóticas em que uma
selvajaria como a excisão genital feminina seja moeda corrente.
Mais extraordinário e mais eloquente é que, na entrevista de Pena Pires,
nunca surja a palavra “mérito”. Não, não podemos integrar por decreto.
Comentários
Enviar um comentário